terça-feira, 11 de maio de 2010

O ASSASSINATO CRUEL E COVARDE DE WILSON CLOVIS


Manhã de quinta-feira, 6 de janeiro de 1994.
Em sua casa, localizada na avenida Princesa Isabel, no Jardim Santa Cruz, o jovem Wilson Clovis Mineiro Matos, de 19 anos, avisa sua mãe, dona Maria Eli de Carvalho, que está indo trabalhar na casa de um amigo, localizada no Jardim Donalísio.
Mulher batalhadora e muito honesta, dona Eli criou e educou bem todos os filhos. E tem orgulho deles. Wilson explica para a mãe que combinou de fazer alguns serviços de pintura e marcenaria na casa do amigo e por isso, vai dormir lá naquela noite e provavelmente na outra.
Ele é um bom rapaz, não dá trabalho, não dá dor de cabeça. É muito amado por sua mãe e por toda família. Sua morte vai despedaçar a família, causando um profundo sofrimento.
Feliz e de bem com a vida, como sempre está, Wilson sai de casa nessa manhã, sem nunca passar por sua cabeça, que esta é a última vez na vida que está vendo o sorriso de sua mãe.
Em menos de 48 horas ele vai estar morto.

NOITE DE SEXTA-FEIRA
O irmão de Wilson, o jovem Gilson Roberto de Matos, está curtindo uma balada no Clube dos Trabalhadores, no Centro da cidade. Dando uma volta no clube ele avista o irmão. Os dois se cumprimentam. Wilson diz apenas que está dormindo na casa do amigo, que está junto com ele. É o rapaz da casa onde está realizando o trabalho, e pede que o irmão avise a mãe para não ficar preocupada. Depois de dizer isso, ele se mistura com as outras pessoas no cube e vai curtir sua balada.
É a última vez que Gilson vê o irmão com vida. A próxima vez que tiver notícias dele, o rapaz já estará morto.
A madrugada avança, Wilson dança um pouco, conversa com os amigos, paquera algumas garotas. Bem mais tarde, ele e o amigo decidem sair do Clube dos Trabalhadores para dar um pulinho até o popular Forró da Ponte, localizado ali perto, no bairro Estação.
A fama do local não é das melhores. Muitas brigas, muita bebedeira, muitos incidentes, e é claro, muita violência. Por ficar ao lado do Rio Jundiaí, é comum que muitas brigas iniciadas dentro da casa, terminem com as vítimas sendo jogadas covardemente dentro desse rio. E é de um crime terrível desses, que Wilson será vítima. Mas diferente das brigas frequentes, onde as vítimas escapam com apenas alguns ferimentos e escoriações, o jovem não terá tanta sorte.

FALTA POUCO PARA O CRIME
A noite de sexta já terminou faz tempo e já avançou pela madrugada de sábado, que por sua vez, está quase terminando.
O que aconteceu realmente, ninguém sabe ao certo. Dizem que foi um incidente qualquer, uma discussão banal causada por um motivo qualquer.
Várias pessoas presenciam Wilson discutindo com outro rapaz. Os amigos de ambas as partes, tentam apaziguar a confusão. Pedem pra deixar disso, deixar daquilo e daquilo outro. São todos conhecidos, todo mundo está ali para se divertir, não para brigar. Mas os conselhos são ignorados. A discussão progride e toma proporções que serão desastrosas em breve. Por algum tempo, aparentemente a confusão acaba. Mas só aparentemente. A maldade está no ar. Planos sinistros de violência pura, passam pelas cabeças de certos indivíduos ali presentes. Surras praticadas com extrema covardia, com vários indivíduos, que nada tem a ver com a confusão original, espancando um só, são frequentes nesses tipos de estabelecimento. Principalmente no Forró da Ponte, o “risca faca”, como muitos dizem. E é isso que estão reservando para o jovem, uma surra covarde. Dentro da casa noturna, ele já desconfia, pressente o perigo, já sabe o que o aguarda lá fora.
O forró finalmente termina. É agora que o crime vai ocorrer.

REQUINTES DE CRUELDADE
O rapaz que estava discutindo com Wilson lá dentro, não está mais sozinho. Vários camaradas estão com ele lá fora. Nenhum deles tem absolutamente nada a ver com a briga dos dois. Mas no embalo, na “camaradagem”, vão ser cúmplices se um brutal assassinato, que em hipótese alguma precisa ocorrer. Wilson não é bandido, é trabalhador, tem família, sonhos, planos, uma vida inteira pela frente. Não merece esse destino. Não precisa morrer desse jeito. Por uma discussão banal, gratuita. Mas os olhos que o espreitam, expressando pura maldade não estão nem aí pra isso. Como verdadeiros vampiros, só querem sangue.
Ao ver-se cercado por vários indivíduos, Wilson tenta fugir, sabe que está em desvantagem. Se fosse um só, apenas o rapaz com quem discutiu, ele poderia lutar, poderia enfrentá-lo, quem sabe até mesmo vencê-lo, mas a desvantagem numérica é muito grande. Um contra um monte. Ninguém teria chance em seu lugar. São muitos contra um. Muita covardia. Extrema covardia.
O que acontece a seguir, só pode realmente ser explicado pelos matadores.
Alguns dizem que para fugir dos agressores, Wilson pulou no rio. Outros dizem que ele foi jogado a força. Ninguém sabe ao certo. Ou se sabe, não fala.
Seja como for, assim que o jovem cai na água, já sofrendo um ou outro ferimento pela queda, os agressores decidem encerrar a noite violenta com chave de ouro. O que inicialmente seria uma surra, começa a se transformar em um linchamento. Munidos de pedras, tijolos e até cacos de telhas, os agressores, que até então eram apenas moleques brigões, se tornam verdadeiros assassinos sanguinários.
Wilson começa a ser apedrejado dentro da água. Sem ter a menor chance de se defender. Uma das pedras atinge sua cabeça. Outra a testa, a boca, e por aí vai. Os assassinos se excitam com a violência e cada vez mais implacáveis, mais furiosos, atacam o rapaz. E assim, Wilson finalmente afunda no rio, para não emergir mais. Nunca mais.
Satisfeitos com o crime que acabaram de praticar, aqueles meninos, que agora são homens assassinos, finalmente vão embora do local, orgulhosos de sua obra que vai fazer uma mãe chorar para sempre. Não pensam que poderia ser a mãe deles no lugar. Não, realmente não pensam. Apenas deixam o local sem olhar para trás.

A TRISTE MANHÃ DE SÁBADO
O amigo de Wilson, que estava com ele no clube, vai até a casa do jovem dar a trágica notícia para a mãe dele. Todos os detalhes são contados. Dona Eli não quer acreditar na história. Quer crer que tudo é mentira, que o filho está bem e que a qualquer momento vai retornar pra casa. Mas ele não vai voltar. Não, não vai. Outras pessoas começam a chegar na casa e repetir a mesma história; “mataram o Wilson no rio da Estação, dona Eli”. Agora ela realmente acredita. Infelizmente precisa acreditar. São muitos depoimentos, muitas afirmações.
Desesperada, a mãe procura a polícia, em busca de informações. Mas já sente em seu íntimo que ele está realmente morto. “Se ele tivesse conseguido fugir, já teria voltado pra casa ou avisado de alguma forma que está bem”, conta a mãe em prantos para um jornal que a procura. Ela passa vários dias em desespero sem ter notícias do filho. Mas a trágica confirmação não demora a chegar.

UMA SEMANA DEPOIS
Na cidade de Anhembi, próxima de Itapetininga, populares avistam um cadáver boiando em uma represa.
O Resgate do Corpo de Bombeiros é acionado.
O cadáver é encaminhado ao Instituto Médico Legal de Botucatu, para os exames periciais. E é neste local, que a vítima acaba sendo identificada como sendo o jovem Wilson Clovis Mineiro Matos. O rapaz que desapareceu no rio de Salto, há uma semana.
A família é acionada e identifica o corpo.
A aflição que tomava conta da família, se transforma em desespero. Mas pelo menos, agora eles podem enterrar o filho, deixar que ele finalmente descanse em paz, e descansarem também. Se nunca encontrassem o corpo seria pior, passariam a vida toda aflitos, como tantas famílias que sabem que o filho morreu,mas não querem acreditar, e ficam alimentando a vazia esperança, que um dia ele entre pela porta da frente e diga que está tudo bem. Mas agora acabou. Realmente acabou.
A Polícia instaura inquérito para apurar o caso. O nome do suspeito principal de ter começado a briga, é divulgado até mesmo nos jornais regionais. Todo mundo sabe quem ele é. Mas na hora das confirmações no papel, mesmo tendo dezenas de testemunhas do crime, ninguém viu nada, ninguém sabe nada, ninguém quer se envolver, como sempre.
O caso termina bastante parecido com outros assassinatos locais. Sem punições para os envolvidos.

16 ANOS DEPOIS
Hoje, uma década e meia após o horrendo assassinato, a maioria daqueles jovens envolvidos na morte de Wilson, se não estiverem presos por outros crimes ou mortos, estão casados, são pais de famílias exemplares, inclusive com filhos adolescentes. E, com toda certeza, ao verem este jornal nas bancas, foram correndo comprar um exemplar, temendo em desespero que seus nomes fossem mencionados, para vergonha de seus filhos, esposas e outros familiares, que talvez não saibam do crime que praticaram.
Então, fica a pergunta, para você assassino, que ajudou matar um garoto indefeso, sem a menor possibilidade de defesa: você escapou do tribunal dos homens, da Justiça, mas conseguiu escapar do tribunal da sua consciência? O que sente a noite quando fecha os olhos para dormir e vê o rosto desesperado de Wilson se afogando no rio e pedindo socorro, enquanto você, bêbado, drogado, alterado, atirava pedras e ria?
Você não deve ser uma pessoa feliz!
Não, com certeza não deve.

AMOR À QUEIMA ROUPA

Manhã de terça-feira. 25 de abril de 1995.
Faltam poucos minutos para às 11h30, a hora em que o crime vai ocorrer.
O empresário Antonio Francisco Delegá, chega na casa de sua ex-mulher, Dolores Valdete Alves Voss. A residência está localizada em uma rua tranquila do bairro Vila Flora. Antonio tem 41 anos. Dolores 46. Os dois são pessoas boas, queridas. Isso vai fazer com que a tragédia seja ainda mais dolorosa para os familiares e amigos.
Dentro da residência, estão apenas Dolores e sua empregada Deuzélia Rodrigues dos Santos. A empregada será a única pessoa a sair viva da casa.
Sem que as duas mulheres suspeitem, Antonio, que acaba de chegar, trás consigo uma arma carregada. É uma pistola semiautomática calibre 7.65, da Taurus. A arma é precisa, fulminante, ideal para fazer aquilo para o qual foi desenvolvida... matar pessoas.
O homem está visivelmente transtornado. Ele toca a campainha, e assim que a porta se abre, entra na casa.
A discussão entre ele e a ex, começa imediatamente após sua entrada. Está muito nervoso.
Os motivos do crime ninguém sabe ao certo. Ciúmes? Revolta com o término da relação? Vingança? Ninguém nunca vai saber. As únicas pessoas que sabem exatamente o motivo da briga que vai culminar em tragédia, vão estar mortas antes do horário do almoço.
Bastante amedrontada, Dolores manda a empregada sair pra rua buscar socorro, diz que Antonio quer matá-la. Assustada, a empregada obedece. Deixa a patroa na casa e sai em busca de ajuda. Mas a ajuda nunca virá a tempo. E esta, é a última vez que a empregada vê sua patroa com vida.
São exatamente 11h30. Assim que pisa na rua, a empregada ouve os tiros.
Ela se apavora. Antes mesmo de ver a cena, já presume o que ocorreu. Deuzélia chega desesperada até a casa do vizinho mais próximo e pede ajuda. Chama a polícia.
A polícia chega muito rápido. Mas o muito rápido, já é tarde demais para as duas pessoas na casa.
Assim que entram no imóvel, os policiais se deparam com a cena estarrecedora em um dos quartos.
De um lado, está Dolores, morta a tiros. Do outro, Antonio, morto com um tiro no ouvido. Matou a ex-mulher e se suicidou em seguida. Crime passional, praticado sob forte emoção.
Pelo fato de não haver mais ninguém na casa, que testemunhou o crime, o delegado Armando de Oliveira Costa Filho, já adianta que dificilmente surgirá novas informações sobre o caso, já que todos os envolvidos estão mortos.
O que se passou na cabeça de Antonio naquele dia, naquele momento, ninguém nunca saberá. O fato dele ter levado a arma, deixou a forte suspeita de que ele já havia premeditado tanto o assassinato, como possivelmente seu próprio suicídio. Mas os motivos, para tais atitudes, somente ele poderia responder.
As duas mortes foram realmente lamentáveis, e com toda certeza são sentidas até hoje pelos entes queridos, que jamais irão se esquecer dessas duas pessoas que um dia se amaram, dividiram alegrias e tristezas, viveram juntos e fatalmente... morreram juntos.
Um ano antes desse caso, um homem de 27 anos, estrangulou sua esposa de 23 anos até a morte, cavou um buraco no quinta da casa, enterrou o cadáver e logo depois tentou se suicidar por enforcamento. Ao ser preso, ele alegou que não se lembrava de nada. Mas essa já é outra história para ser contada em outra edição de Os Crimes que Abalaram Salto.

MASSACRE NA CADEIA DE SALTO


Sábado, 14 de novembro de 1996.
De todos os erros que José Isquierdo Herrero, cometeu em sua vida, o pior deles foi ter estuprado uma menina de apenas dois anos. Um bebezinho que ainda precisa do colo da mãe.
O estupro foi praticado há 15 dias, na cidade de Porto Feliz. Herrero aproveitou que a mãe da menina estava na igreja e abusou sexualmente dela. Foi um erro mortal. Para a criança o estupro vai ser traumático. Para ele, será fatal.
O crime revoltante foi descoberto no mesmo dia, assim como o acusado. Como consequência de seu ato, ele foi preso em flagrante em Porto Feliz e transferido para a Cadeia Pública de Salto.
Ele nunca foi bem vindo no local. Para os outros detentos, compostos por ladrões, assassinos e traficantes de drogas, a pena para estuprador é a morte. E eles irão deixar isso bem claro hoje.
Isaias Gonçalves Nunes, é outro presidiário que abusou dos erros que poderia ter cometido na vida. Há pouco tempo ele violentou um garotinho de 6 anos. O crime revoltou muita gente. Arrasou uma família e deixou a sociedade indignada. Mais indignados ainda, ficaram os presos da Cadeia Pública de Salto, pra onde Isaias foi trazido logo após sua prisão em flagrante ter sido decretada. Se um estuprador no local já é demais, dois é inaceitável.
E nem Deus, a menos que realmente queira, poderá impedir a fúria e revolta dos detentos, sedentos por vingança. E ao que tudo indica... Deus não irá se intrometer.
TENSÃO E MEDO NO AR
A Cadeia de Salto tem capacidade para abrigar 48 presos. Mas há 74 homens detidos no local. Reflexo direto das constantes superlotações que ocorrem há anos nesse presídio.
A maioria dos detentos é de Porto Feliz e São Roque. O restante é de Salto.
Vinte e um deles já estão condenados e tem direito a cumprir pena em regime semiaberto. Mas, por precariedade no sistema penitenciário, continuam trancafiados em regime fechado com outros presos ainda nem sequer julgados.
E, esse é o motivo principal da rebelião, que irá durar dez horas e resultar em dois horrendos assassinatos.
Nem todos os 74 detentos irão participar da rebelião, mas os que participam, são mais do que suficientes para executar o massacre, a carnificina que vem a seguir.
A noite de sexta pra sábado foi muito tensa. Ninguém dormia de madrugada. Todos sabiam o que iria ocorrer no dia seguinte.
Todos, principalmente Herrero e Isaias, que já estavam marcados para morrer.
A MATANÇA
O motim começa logo de manhã, assim que as celas são abertas para os presos tomarem o café matinal.
Armados com estiletes artesanais afiadíssimos, que podem rasgar um homem ao meio, os presos saem das celas, trocam olhares e dão o sinal. A Rebelião começou. Muita gritaria, colchões incendiados, grades arrancadas, lâmpadas destruídas, portas quase sendo estouradas a ponta pé e uma vontade de matar que não passa.
“Jack (estuprador) tem que morrer”, grita um dos líderes do motim mais exaltado. Os outros presos concordam em coro. E subitamente, a gritaria ensurdecedora dá lugar a um silêncio. Um silêncio mortal, repleto de ódio, revolta e desejo de vingança. É quando todos olham para os dois presos, Isaias e Herrero, até então trancados na cela de “seguro”, onde ficam os condenados por estupro. Mas, não existe nenhum local seguro em uma cadeia, durante uma rebelião.
Dezenas de mãos, com extrema violência e ferramentas improvisadas estouram o cadeado da cela onde os dois prisioneiros estão detidos. Ambos são arrancados pra fora tomando chutes na barriga, socos na cara e levando todos os nomes que se possa imaginar.
Arrastados até o meio do pátio, Herrero e Isaias gritam por socorro, imploram pelo amor de Deus e por todos os santos que já ouviram falar. Apelam pela ajuda dos guardas, dos próprios detentos que não participam do massacre e até das mães, que jamais irão ouvir os gritos desesperados dos filhos, sendo massacrados sem piedade. Mas a ajuda nunca virá. O mesmo terror que um dia infligiram em crianças inocentes, agora estão sentindo.
Caídos no meio do pátio, aterrorizados como os inocentes que estupraram, os dois homens sofrem todo tipo de violência possível. Espancados a pontapés, cortados com navalhas de barbear, apunhalados por estiletes e massacrados com barras de ferros, os dois homens são brutalizados até não aguentar mais. Durante toda a tortura, cada um dos detentos vai desferindo chutes na cabeça dos dois condenados à morte.
Quando os presos finalmente terminam de praticar sua justiça, só restam dois cadáveres ensanguentados no pátio, totalmente desfigurados, irreconhecíveis.
Decidido a fechar o massacre com chave de ouro, um dos detentos, armado com um facão surgido só Deus sabe lá de onde, decepa a cabeça de José Herreno e a faz rolar pelo pátio. Um outro detento, dominado pela adrenalina do momento, desfere um chute na cabeça, que jorrando sangue do pescoço vai parar nos pés de outro preso. E assim se inicia uma mórbida partida de futebol, onde a bola é uma cabeça humana, que vai passando de um pé para outro.
O motim só termina dez horas depois de iniciado, quando o juiz corregedor Jaime Silva Trindade, chega pessoalmente na cadeia e promete fazer a transferência exigida pelos detentos.
E a cabeça decepada do estuprador?
A cabeça? Ela estava presa na grade da guarita, trepassada de baixo pra cima, com o sangue pingando no sangue pingando no chão, fazendo uma enorme possa vermelha.
Aquilo era um recado, um aviso, uma sinistra mensagem, que, embora jamais tivesse sido escrita com letras, tinha um significado óbvio, evidente para os detentos.
Aquela cabeça assustadora, que passou horas pingando sangue dentro do Pavilhão da Delegacia Central, queria expressar uma frase, uma frase mórbida, composta por apenas quatro palavras. Quatro palavras sinistras, aterradoras e fatais que segundo os detentos, queria dizer... “ESTUPRADOR TEM QUE MORRER”.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O ESTUPRADOR E SEU ASSISTENTE

O ano de 1999, foi assolado por uma série de estupros seguidos de assaltos, em Itu.
Os crimes ocorriam nas mais diversas áreas da cidade, entre o final da tarde e início da noite.
As vítimas eram sempre casais que namoravam dentro de carros em locais desertos.
Com o número cada vez mais repetitivo de casos, a polícia começou a perceber que havia um padrão em comum entre os crimes e a partir daí, traçou o perfil dos suspeitos.
Naquele ano, mais de 15 casais foram atacados e descreveram os agressores como sendo dois homens que dirigiam uma Saveiro preta.
Segundo as próprias vítimas, quando estavam no carro, um homem se aproximava, e com arma em punho, rendia o casal e os obrigava a ir até um local deserto.
Era nesse local que surgia um segundo indivíduo, e obrigava a mulher, na mira do revólver a tirar as roupas e a violentava na frente do próprio namorado.
O maníaco era tão ousado, depravado e pervertido, que em muitas ocasiões mandava o namorado ficar de costas, em seguida obrigava a moça já nua a segurar nos ombros do companheiro, também sob a mira da arma e a estuprava com o maior sadismo.
Em todos os casos, os namorados eram obrigados a presenciar impotentes os estupros de suas companheiras, sem nada poderem fazer.
Enquanto um estuprava, o outro mantinha os casais sob ameaça de morte. Depois do estupro consumado, o criminoso que segurava a arma, roubava os bens do casal, inclusive o carro e desaparecia.
Satisfeito, o estuprador também se retirava do local, sem levar bens materiais das vítimas, já que havia roubado a dignidade das mesmas.
Os casos acabaram gerando histeria coletiva na cidade, virando constantes notícias nos jornais locais.
A população estava apavorada, várias associações de bairros e grupos políticos cobravam providências urgentes das autoridades.
Com a pressão da sociedade cada vez maior, a Polícia Militar, na época sob o comando do Capitão Dias, começou a se empenhar na captura dos criminosos.
Na tarde de uma quinta-feira, 5 de agosto de 1999, uma viatura da PM que fazia patrulhamento pelo bairro São José, topou com uma Saveiro preta, ocupada por duas suspeitos, cujas características físicas batiam com as dos criminosos procurados.
Os policiais mandaram o veículo parar, mas o homem no volante não obedeceu.
Uma intensa perseguição teve início naquele momento. Pouco depois, a dupla conseguiu abandonar o carro antes da chegada da PM.
Através de informações de populares que viram os dois fugindo, a polícia conseguiu prender um deles, identificado como José Antônio de Souza, de 19 anos. Esse era o “assistente” do estuprador. Já o maníaco conseguiu fugir.
Na delegacia, o assaltante confessou em detalhes os vários estupros seguidos de assaltos, que eram atribuídos a ele e seu comparsa. Porém, negou já ter estuprado alguma das vítimas, o que era verdade. José foi reconhecido pelas vítimas “apenas” como ladrão, o homem que apontava a arma, enquanto seu parceiro estuprava.
O comparsa, o verdadeiro estuprador, foi apontado por José, como sendo Daniel Dias da Costa. O ladrão contou ainda que em um dos episódios Daniel teria agido sozinho, mas na maioria das vezes, era ele mesmo quem dava cobertura para o parceiro cometer os estupros.
Quem era mais sádico e pervertido, não se sabe ao certo.
Com essa prisão, os policiais acabaram por descobrir um desmanche com cerca de onze carcaças e muitas peças dos carros roubados pela dupla.
José acabou ficando preso e tendo que responder por inúmeras acusações.
Quanto a Daniel, ele não foi preso na época, mas a polícia descobriu que ele já tinha passagens por estupro e só em Itu, já havia cometido outros 12 crimes sexuais semelhantes, nas proximidades do Presidente Médici.
Hoje, dez anos depois, não se sabe o paradeiro de Daniel. Talvez esteja preso, com um pouco de sorte morto, ou quem sabe esteja por aí, fazendo o que sabe fazer melhor... estuprando mulheres.
Vai saber!



segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A MORTE DO GUARDA PAIXÃO


Sexta-feira. Dia 24 de novembro de 2000.
São 21h30.
Três homens armados entram numa farmácia localizada na Rua Floriano Peixoto, e anunciam o assalto.
Diante de violentas ameaças, contra funcionários e clientes, os ladrões levam cerca de R$ 400 do caixa e mais R$ 150 de duas pessoas no interior da loja.
Assim que deixam a farmácia, os ladrões abordam um bancário conduzindo um Monza verde, que passa pelo local. Com a arma na cara, o motorista é obrigado a entregar o veículo, para a fuga dos criminosos.
O Monza acelera pela Floriano, vira a esquina do Correio em alta velocidade, desce pela Garcia Moreno e entra na Santa Rita. O veículo está em alta velocidade.
Perto dali, o guarda civil municipal Manoel da Paixão Santos, de 37 anos, está fazendo segurança em frente de uma clínica odontológica da Santa Rita.
Paixão, como é mais conhecido, está fora do horário de serviço, sem farda e desarmado. A ficha de Paixão como GCM, é impecável. Admirado e respeitado pelos companheiros e superiores, ele é um exemplo de bom profissional. Nos círculos de amigos, é tão querido pelos companheiros quanto pelos familiares. Todos gostam dele.
É por isso que sua morte vai chocar tanto.
Um minuto antes do Monza fazer a curva do Correio, um Opala marron, ocupado por uma mulher e dois garotinhos de 11 e 12 anos, está subindo pela Domingos Fernandes.
A condutora do veículo não faz ideia que um acidente violento está a sua espera.
Faz apenas um minuto que os ladrões deixaram a farmácia.
O semáforo da Santa Rita, fica vermelho. Os ladrões não dão a mínima. Não vão parar.
Aceleram ainda mais.
O Opala está cruzando a esquina quando o Monza acelerado se choca contra ele.
O barulho de vidros se estilhaçando e de metal se retorcendo atrai na hora a atenção do guarda Paixão.
Acostumado a salvar vidas, a proteger seus semelhantes, o guarda instintivamente sai em socorro das vítimas. Ele não sabe do roubo a farmácia. Nunca vai saber. Para ele, os três homens no carro, são tão vítimas, quanto a mulher e as duas crianças no meios dos estilhaços.
É no momento exato que Paixão chega a cena do acidente pra ajudar os feridos, que ele recebe os tiros.
Dois disparos, um acerta em cheio sua barriga. O guarda não faz ideia do porque foi atingido.
Mas os assassinos sim. Eles o reconheceram como guarda e pensando que esse iria prendê-los, atiraram contra ele.
Os criminosos fogem a pé em seguida, enquanto as vítimas do outro carro são socorridas por populares que presenciam o acidente.
Paixão, baleado, fica caído em frente a uma vidraçaria. É socorrido pouco depois até o hospital, mas não resiste ao ferimento e morre.
Em poucos minutos, o Centro fica forrado de viaturas da Polícia Militar e Guarda Municipal.
Tanto a informação sobre o assalto, quanto a do assassinato do guarda já estão na rede da polícia.
Na mesma noite, um suspeito, identificado como Cláudio Martins, de 29 anos, é capturado na Escola Convenção, onde estava escondido. Ele porta um calibre 38. O suspeito, bastante machucado, devido ao acidente automobilístico é levado até o hospital, medicado e encaminhado até a Delegacia Central. Neste local, é reconhecido pelas vítimas do roubo e confessa o crime.
Ainda nessa noite, começa um intenso trabalho de investigação conjunta entre Guarda Municipal e Polícia Civil, para prender os outros dois criminosos.
Pouco depois, os irmãos Gerson Pereira, de 30 anos e Reginaldo Pereira, 26, são presos em flagrante no Cidade Nova. O primeiro caminhava pela Paz Universal quando foi detido, o segundo estava em casa.
O trabalho de investigação, que foi comandado pelos delegados Moacir de Mendonça e Antônio Góes Filho, reuniu os pesos pesados da Guarda, como Rovaldo, Moraes, Agostini, Freitas e Teixeira. Da Polícia Civil, trabalhou no caso os investigadores Clayton, Durval, Betão, Rocha e Antunes.
Hoje, nove anos após o crime, Paixão ainda é lembrado com muito carinho, admiração e principalmente... saudade!

CAÇADO E FUZILADO

Noite de sábado.
14 de novembro de 1998.
O casal Maria e Alexandre está tranquilo em um dos barracos onde moram, na Vila Lucinda.
Ela tem 24 anos. Ele 35.
Faltam 20 minutos para às 21 horas. E, menos de um minuto para o brutal assassinato, prestes a ocorrer.
O casal se assusta quando alguém em desespero começa a bater na porta, seguidas vezes, e gritar sem parar.
“Socorro, abra a porta, por favor, estou sendo perseguido”, grita o desconhecido lá fora.
Ouvindo os gritos do desesperado, Alexandre decide abrir a porta.
Um homem que ele desconhece entra caindo no barraco.
Antes que ele consiga socorrer o rapaz caído no chão, um outro homem se aproxima por trás.
É um matador.
Ele está armado com uma pistola automática.
Não diz uma única palavra, apenas aponta a arma para o homem caído e começa a disparar.
Quinze tiros seguidos.
Doze acertam o homem no chão, que morre ali mesmo. Um tiro é perdido e, os dois restantes, atingem Alexandre nas costas. Ele não tem a mínima ideia de quem é quem naquela execução. Cai de bruços com os tiros nas costas.
Após a execução, o matador ignora Alexandre e sua esposa, o que deixa claro que a bronca não é com ele, e que só foi atingido por puro acidente. Estava muito perto do alvo. Perto demais.
O matador, que assim como o desconhecido no chão entrou pela porta dos fundos, atravessa o barraco com calma e sai pela porta da frente. Está sendo esperado por um comparsa.
Em seguida, os dois homens montam numa moto e, tão repentinamente como surgiram, desaparecem.
Os moradores dos barracos das imediações, após ouvirem os disparos e ver os homens fugindo do local, acionam a Polícia e o Resgate.
Alexandre é levado às pressas para o hospital. Ele vai sobreviver. Teve mais sorte do que o desconhecido estendido no seu barraco com 12 balas no corpo.
Porém, assim que dá entrada no hospital, a ficha de Alexandre é levantada pela Polícia e seus antecedentes aparecem. Mesmo não tendo absolutamente nada a ver com o crime recente, onde ele também é uma das vítimas, o homem com duas balas nas costas é procurado da Justiça. Ele acaba ficando internado sob escolta policial. Vai sair de lá para a prisão.
Enquanto isso, em seu barraco, a Polícia procura por algum documento no corpo da outra vítima, que possa identificá-la. Não encontra nada.
O cadáver é recolhido pela Funerária Municipal, e encaminhado para o IML, onde permanece por dois dias, sem ser identificado.
Na segunda feira, uma mulher aparece e identifica a vítima, como sendo seu irmão, Mauro Bueno de 32 anos.
A mulher conta aos policiais que investigam o caso que, Bueno nasceu em Salto, e passou mais de dez anos de sua vida na cadeia. Ela comenta ainda que há dez dias, ele fugiu da Cadeia Pública de Salto e dede então, estava desaparecido, até ser encontrado varado de balas no IML.
Onde ele estava antes do crime? Por que foi morto? Vingança? Acerto de contas? Quem era matador?
Aí estão cinco boas perguntas!
Aliás, cinco excelentes perguntas!

ESTUPRADA E ESPANCADA NA PRAÇA


Quarta-feira, dia 2 de junho de 1999.
Uma mulher de 44 anos, está deitada em um dos bancos da Praça Gaspar Ricardo, em frente ao Saae.
Para se proteger do frio do inverno rigoroso, ela se enrola em um cobertor, cobrindo até a cabeça.
É tarde da noite.
A mulher é uma andarilha, não tem casa, não tem família, amigos, não tem ninguém.
Já passam da meia-noite, quando um desconhecido se aproxima.
Dormindo ao relento, alheia ao perigo, a mulher acorda com uma mão forte apertando seu pescoço. Ela se assusta, tenta gritar, mas não consegue.
Violento, o homem desconhecido saca uma faca e ameaça matar a andarilha, caso ela grite. Temendo a morte, ela não reage.
Em seguida, o desconhecido rasga as roupas da mulher, abaixa sua própria calça da cintura pra baixo e começa a violentá-la ali mesmo, em cima do banco frio da praça.
No desespero a mulher arranha o agressor, grita, tenta se livrar dele. O estuprador reage, desferindo vários socos violentos no rosto da vítima.
Pra não apanhar mais, a mulher continua sendo estuprada em silencio, rezando para o pesadelo terminar logo.
O maníaco não está com pressa.
Quando a vítima pensa que o estupro terminou, o criminoso manda ela se virar de costas e diz que quer fazer sexo anal.
A mulher implora para que o criminoso a deixe em paz. Ele responde com vários bofetões, socos e chutes nela.
Chorando muito, a vítima passa a ser novamente violentada. A violência é tanta, que quando o desconhecido termina seu ato covarde e perverso, a vítima estava toda ensanguentada.
Mas a violência ainda não havia terminada.
O homem abre uma garrafa de plástico com um liquido verde dentro e manda a andarilha beber. Ela se recusa. Mais tapas na cara, socos na boca e chutes nas costas.
Ele a segura pela garganta já no chão, diz que ela prostituta, vagabunda, piranha , sem vergonha. E faz a mulher ingerir o liquido na marra.
Tão logo a bebida chega em seu estômago, a mulher vomita desesperadamente.
Ela não sabe o que bebeu, só sabe que é muito ruim e está lhe fazendo mal.
O maníaco ri, se diverte com o terror da vítima.
Com total tranquilidade, após levantar suas calças, ele pega a faca que havia deixado no chão, e vai embora do local, deixando sua vítima aterrorizada e marcada para sempre.
Sangrando muito e com dores por todo o corpo a vítima se enrola novamente no cobertor e chora.
Chora de dor, chora de vergonha.
Afinal, mesmo sendo uma andarilha que vive nas ruas, ela ainda é uma mulher, e como tal, tem sua dignidade.
Depois do sofrimento, a mulher vai até a Delegacia de Policia e registra um boletim de ocorrência.
Mas o criminoso, nunca foi identificado, preso e muito menos julgado por seu crime.