segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

A MORTE DO "IRMÃO ITU"

Cercado em sua chácara por policiais civis, traficante armado com duas pistolas semi-automáticas lutou até o fim, antes de tombar morto
Luveci Vieira Lima
Pistolas Ponto 40 e 9 Milímetros e, pacotes com cocaína
Centenas de pedras de crack

Panela com um kilo de crack Salto de Pirapora.
Manhã de quarta-feira. 13 de Fevereiro de 2008.
Policiais civis de Itu e Sorocaba cercam uma chácara localizada no número 17, da rua dos Florianos, no bairro Quintais de Pirapora 1.
O dono da chácara é um homem chamado Luveci Vieira Lima. Ele tem 34 anos e dorme com um olho aberto e outro fechado.
A chácara é uma mini-fortaleza, com chapas de ferro bem reforçadas nas portas. A idéia é impedir que os inimigos entrem ali.
O principal inimigo de Luveci é a Polícia Civil, que está em seu encalço há meses. Mais precisamente há quatro meses. Luveci sabe disso.
Mas ele ainda não sabe que sua casa vai cair hoje. Ele nem imagina que está prestes a morrer.
Mais conhecido como “Irmão Itu”, Luveci é apontado pela Polícia Civil, como um dos líderes do PCC em Itu. É ele quem comanda o tráfico de drogas na cidade, principalmente na região do Cidade Nova.
Luveci está atravessado com a Polícia. Ele sabe que estão na cola dele. Sabe que querem prendê-lo a qualquer custo.
Mas ele não pretende se entregar. Não tem planos de voltar para a cadeia, onde já cumpriu pena por roubo e formação de quadrilha.
Homem de atitude, Luveci matou um desafeto com sete tiros em julho de 2007. Na ocasião, ele e um comparsa entraram dentro da casa de um rapaz conhecido como Xandi, residente no Cidade Nova, e o matou na frente da própria mãe da vítima.
Quatro tiros na cabeça, um na axila direita, um no peito e um na mão esquerda, foi desta forma brutal que Luveci matou seu desafeto. A mãe da vítima implorou para que ele não matasse o filho dela, que também traficava drogas. Mas ele atirou assim mesmo. Sem dó, sem perdão.
Hoje, sete meses depois, Luveci vai morrer de forma bastante parecida, fuzilado por policiais civis.
Mas ele ainda não sabe.
Dentro da casa, Luveci guarda 9 kilos de cocaína, 319 pedras de crack e uma panela com cerca de 1kilo de crack, que ele mesmo está preparando.
Duas pistolas utilizadas pelas Forças Armadas, sendo elas uma Ponto 40 e uma 9 Milímetros também estão em poder de Luveci.
Ele dorme com as armas nas mãos. Um olho aberto e outro fechado. Ele é esperto, desconfiado. Está sempre atento.
Lá fora, policiais civis da DISE de Sorocaba e do DENARC de São Paulo, chefiados por policiais do SIG de Itu, se preparam para arrombar a porta e pegar o traficante de surpresa.
São quase 6h da manhã. A Polícia tem um mandado de busca e apreensão para entrar na casa e prender Luveci.
Mas, os policiais sabem que ele não vai abrir a porta em hipótese alguma.
Já ouviram através de escutas telefônicas que o traficante sabe que a Polícia está atrás dele, e não pretende se entregar.
Foi para se esconder da Polícia, que Luveci se afastou da região do Cidade Nova e se refugiou em Salto de Pirapora.
Mas isso não importa mais, os policiais já sabem seu endereço e estão prontos para invadir a casa.
O investigador que comanda a operação dá o sinal. Os policiais se espalham, cada um vai para um lado, enquanto outros tentam arrombar a porta e pegar Luveci de surpresa.
Dentro da casa, o traficante pressente o perigo. Mesmo sem ver o que está acontecendo lá fora, ele já sabe.
Os policiais vieram pegá-lo. As duas pistolas, uma preta e outra cromada surgem nas mãos de Luveci. As armas estão carregadas. A Ponto 40 semi-automática tem 12 balas no pente, a 9 milímetros tem 15. No total, o traficante tem 27 balas, munição mais do que suficiente para matar os seis policiais lá fora. Isso se conseguir acertá-los.
Não vai ser fácil.
Mas Luveci é homem de atitude. Está sozinho na casa, mas não indefeso.
Ele está pronto para matar ou morrer por seu negócio.
Se tiver que matar policiais para escapar, ele vai matar. Mas se tiver que morrer, ele não vai implorar, não será morto de joelhos, será de pé.
Os policiais, também armados com pistolas de grosso calibre não pretendem matar o traficante. Mas, também não pretendem serem mortos por ele.
No exato momento em que a Polícia dá o primeiro golpe para arrombar a porta, um tiro de pistola estilhaça um dos vidros da casa e passa raspando em um dos policiais.
Os estilhaços de vidro atingem a mão de um dos investigadores.
A Polícia percebe que o elemento surpresa acabou.
Mais tiros vindos de dentro da casa estilhaçam mais vidros.
Policiais estouram portas e janelas e entram na casa.
Escondido em um canto da casa, Luveci luta sozinho contra os policiais. Balas voam por toda a casa. Vidros são estourados, portas são perfuradas, balas ficam encrustradas nas paredes dos cômodos.
Policiais gritam para Luveci largar as armas. Ele ignora. Continua atirando. Os policiais revidam a altura. Bala para todo lado.
Luveci em clara desvantagem leva um tiro, dois, três, quatro, cinco vários tiros. Ele tomba em um dos cômodos, todo ensangüentado. O tiroteio cessa. O interior da casa está todo destruído por tiros.
Apesar das várias perfurações, Luveci, caído no chão com suas duas pistolas, ainda respira. Ele não diz uma única palavra. Apenas respira e encara os policiais com total frieza. Não pede socorro, não pede ajuda, não pede nada.
Apenas respira, enquanto o sangue se esvai do seu corpo e começa a se espalhar pelo piso bege, que em pouco tempo fica vermelho.
Os policiais socorrem Luveci até a Santa Casa de Salto de Pirapora.
Mas não faz diferença alguma, Luveci não resiste aos ferimentos e morre.
A operação finalmente termina.
Quatro meses de investigação terminam com a morte do fornecedor da droga e da apreensão de toda a mercadoria que estava sem seu poder.
Enquanto a Polícia volta para a Delegacia pensando no extenso relatório que precisa apresentar, o corpo de Luveci segue para o IML, a notícia da morte se espalha através da mídia, e em algum lugar, outros criminosos já começam a se preparar para ocupar o posto deixado por Luveci.
Terminou uma batalha, mas a guerra continua. (RC)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

A CHACINA DA VILA MARTINS

A casa dos horrores, onde o crime ocorreu, pingava sangue por todos os lados
Fotos: Reginaldo Carlota










O crime ocorreu na primeira semana de março de 2007.
Era quase impossível entrar na casa sem se sujar de sangue.
O barraco velho de alvenaria, sem a menor segurança, parecia um matadouro.
Havia sangue escorrendo da porta da geladeira, do fogão, do velho sofá, das paredes, e de todos os trapos de pano que se encontravam a mostra.
Pisar no chão dos cômodos apertados sem sujar a sola do sapato de sangue, era tão difícil, quanto acreditar que a tragédia realmente havia acontecido.
A cena seria digna de um filme de horror, se não fosse a mais aterradora realidade.
Sônia Maria de Carvalho, uma mulher de 40 anos, estava morta de joelhos, atrás da porta da cozinha. Foi esfaqueada até morrer.
Ela morava no barraco com dois primos, uma amiga, filhos e netos.
Iliane Comin, de 26 anos, prima de Sônia, estava caída ensangüentada no chão da cozinha. Foi morta a tiros e facadas.
Elisângela Aparecida Nunes, de 28 anos, amiga de Sônia estava agonizando no banheiro. Levou um tiro no rosto e várias facadas. Foi socorrida as pressas para o hospital. Conseguiu sobreviver apesar dos gravíssimos ferimentos.
Marcos Ferreira Pinto, de 26 anos, também foi esfaqueado várias vezes no abdômen. Conseguiu sobreviver depois de ser socorrido até o hospital.
Um adolescente de 14 anos, filho de Sônia, só não morreu porque conseguiu se esconder no momento do crime, ou porque os matadores não se importaram com ele.
As três crianças que também moravam no barraco estavam dormindo quando a chacina começou. Foram poupadas pelos assassinos.
O crime deu repercussão em todo o Estado, atraindo a atenção da grande imprensa, que reprisou o caso à exaustão durante a semana inteira.
De acordo com informações relatadas no Boletim de Ocorrência, o motivo do crime seria uma dívida de apenas 40 reais, que Marcos teria com um elemento conhecido da família vítima do crime.
Esse elemento, teria um envolvimento supostamente amoroso com Sônia e na data do crime, teria chegado de madrugada, por volta das 2h, no barraco onde as vítimas residem, localizado na Rua Nelson de Souza Campos, na Vila Martins, e pedido para entrar.
Ao reconhecer a voz do elemento, Sônia teria dito para ele ir embora, mas o sujeito, que estava em companhia de outros cinco indivíduos, teria invadido a casa e iniciado a matança, fugindo logo em seguida.
Todas essas informações preliminares foram relatas no B.O., por testemunhas que “disseram” ter ouvido isso ou aquilo, e não pelas vítimas que sobreviveram.
Dois dias depois da chacina, a Polícia Civil de Itu, apoiada pelo serviço velado da Polícia Militar, prendeu o principal suspeito de comandar a chacina da Vila Martins.
O suspeito conhecido como “Bruno”, de 20 anos, confessou ter cometido o crime em companhia de outros dois indivíduos.
Durante o interrogatório Bruno contou para o delegado doutor José Moreira Barbosa Netto, que comandou as investigações, que cometeu o crime pelo fato de Sônia, uma das vítimas, estar “dando com a língua nos dentes”, sobre alguns de seus crimes anteriores.
Temendo ser “caguetado”, o rapaz foi até a casa de Sônia na madrugada de segunda, junto com dois comparsas e atacou as vitimas a tiros e facadas. O rapaz ainda declarou que não tinha nada contra as outras três pessoas que estavam na casa.
Elas só foram atacadas porque presenciaram o crime.
Estavam no local errado, no dia errado, e é claro... na hora errada.

CAÇADA IMPLACÁVEL



Faltavam poucos dias para o Natal de 1983.
Era uma madrugada qualquer da segunda semana de dezembro.
Dois caminhões carregados com toneladas de quilos de feijão transitavam pela Rodovia Marechal Rondon, sentido Jundiaí.
Havia acabado de passar da meia noite, quando um dos pneus de um dos caminhões estourou na altura da fazenda Cruz Alta.
O motorista parou para fazer a troca.
Seu companheiro, que estava no caminhão da frente, também parou para prestar auxilio.
Os dois homens estavam terminando a troca de pneu quando um Del Rey se aproximou.
O carro parou ao lado deles.
Quatro homens desceram. Todos armados.
Os dois caminhoneiros foram rendidos, junto com um ajudante que estava em um dos caminhões.
Os quatro homens, que se revelaram ladrões de carga, obrigaram os três trabalhadores a entrar no porta-malas do Del Rey, e os trancaram lá dentro.
Logo em seguida, tomaram posse dos dois caminhões e desapareceram, deixando o Del Rey com os homens trancados naquele local.
Depois de duas horas de sufoco e muita apreensão, as três vítimas conseguiram estourar o porta malas do carro com o pé e se libertaram.
Na pista, pediram carona e foram parar no plantão da Delegacia Central.
Imediatamente, os PMs Zacarias, Roberto, Leonel e Luiz Carlos, colocaram um dos motoristas na viatura e saíram na caçada aos assaltantes.
Patrulharam por um longo período pelas imediações onde o crime ocorreu, mas não encontram nem sinal dos ladrões.
Haviam desaparecido.
Os PMs já estavam dando por encerradas as buscas e estavam longe do local, quando receberam uma informação via rádio, de que próximo da Cruz Alta havia quatro suspeitos em um Fusca e uma Brasília.
Acreditando se tratar dos mesmos ladrões, que por algum motivo teriam retornado ao local do crime, os quatro PMs voltaram até a região da fazenda Cruz Alta.
No local, deram de cara com os dois veículos.
Havia quatro policiais e quatro suspeitos.
Todos estavam armados.
Prontos para matar.
Ou para morrer.
Os suspeitos sacaram primeiro.
Estavam munidos de revolveres calibre 38 e uma cartucheira.
Eram eles: Benedito, de 20 anos, sem residência fixa. José Antonio, de 22 anos, residente em Jundiaí, João de Jesus, de 28 anos, residente em Campo Limpo Paulista e Reginaldo , de 24 anos, também residente em Jundiaí.
Ao serem recebidos a tiros, os PMs revidaram.
Cada suspeito procurou uma trincheira, uma árvore, ou um lugar apropriado para se esconder durante o tiroteio.
A troca de tiros só durou alguns minutos, mas para quem estava no fogo cruzado pareceu uma eternidade.
Em um dado momento, João de Jesus cometeu um erro fatal.
Saiu de seu esconderijo para tentar achar uma posição melhor. Se encontrasse, talvez com muita sorte poderia matar um ou dois PMs.
Ele nunca conseguiu.
Não estava com sorte.
Ao sair de seu esconderijo, tornou-se um alvo fácil para os policiais.
Ele estava com um revólver engatilhado na mão direito.
Não teve tempo de atirar.
Levou um balaço no peito.
Cortesia de um dos PMs.
O tiro abriu um buraco em seu peito, estourando órgãos internos.
Caiu de costas no chão, com sangue saindo pela boca e peito.
Para João, o mundo havia acabado naquele instante.
Vendo o comparsa morto, os outros três suspeitos entram em pânico.
As histórias de que a Policia matava implacavelmente “quem levantasse a mão pra eles”, passou a povoar a mente dos bandidos.
Não queriam morrer.
Desesperados, se embrenharam na mata tentando uma fuga alucinada.
Mais quatro PMs, Giacomelli, Savassa, Tempesta e Domingues, chegaram no local e entraram na caçada.
Armados até os dentes, os oito policiais adentraram o matagal e vasculharam cada centímetro, até encontrar os três fugitivos.
Renderam o trio no meio do mato.
Os três estavam apavorados. Sozinhos em um matagal durante a madrugada, com oito PMs fortemente armados.
Sem testemunhas.
Sem ninguém para contar história.
Poderiam ser “zerados” ali mesmo se os policiais quisessem.
Mas, o pânico foi desnecessário.
Ao contrário da ROTA de São Paulo, que naquele época “matava primeiro e perguntava depois”, os PMs de Itu, se mostraram extremamente profissionais e controlados.
Capturam os três criminosos vivos, e os entregaram na Delegacia Central, sem nenhum ferimento.
Diante do delegado Alcides Geronutti, os criminosos contaram que haviam roubado o Fusca e a Brasília em Jundiaí, e estavam se preparando para “depená-los”, quando trombaram com os policiais.
Os quatro bandidos que haviam roubado os caminhões, não seriam presos naquela ocasião.
Já o outro quarteto, que por estar no local errado, na hora errada, não teve a mesma sorte.
Três ladrões passaram o Natal na cadeia. O quarto ladrão teve destino pior. Passou o Natal de 1983, onde ninguém gostaria de passar...
Na sepultura.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

GARRA NEGRA, O MONSTRO DE ITU

Retrato falado do estuprador feito meses antes da prisão

Foto do estuprador após a prisão


Maníaco estuprava e barbariza mulheres na cidade em pleno dia

O crime violento ocorrido em Itu naquela semana de janeiro, de 2007, tinha todos os elementos de um filme policial: Uma vítima indefesa, um psicopata frio e calculista, suspense e muito terror. Mas, para espanto da população ituana, não se trata de mais um sucesso do cinema, e sim de um caso assustadoramente real.
Uma semana antes, trabalhando como repórter policial do Jornal Folha da Cidade noticiei com exclusividade que um maníaco atacou uma mulher em pleno centro da cidade, nas proximidades da praça Conde de Parnaíba.
A vítima, que foi atacada durante a noite, só não foi violentada pelo maníaco, porque lutou com ele com todas as suas forças e conseguiu fugir após desferir um chute nas partes intimas do criminoso. Mas não escapou ilesa, levou uma estiletada e ficou com vários hematomas e escoriações. O maníaco foi descrito pela vítima como um homem com idade entre 30 e 40 anos, cabelos grisalhos, aparentando luzes, pele parda, 1,65 de altura aproximadamente, barba e bigode no estilo cavanhaque, forte e meio barrigudo. Usava um Escort branco, com placas de Porto Feliz.
Na manhã da última segunda-feira, cinco dias após a tentativa frustrada de estupro, um elemento com as mesmas características violentou uma mulher em um matagal da cidade.
A vítima, que tem o mesmo padrão da anterior (mulher branca, magra, aparência de pessoa humilde, com idade entre 25 e 30 anos) estava em uma lanchonete do centro, separando alguns currículos para distribuir quando foi abordada pelo elemento, que iniciou uma conversa mais ou menos assim: “desculpe chegar assim, mas notei que você está procurando emprego. Eu moro com minha mãe aqui no centro e estamos precisando de uma empregada pra trabalhar meio período. Somos só nos dois (ele e a mãe) e a casa é pequena, dá pra você fazer em meio período. Pago 400 reais, dou cesta básica e vale transporte. Interessa pra você?”
Bem vestido, bom de conversa, olhando fixamente nos olhos e aparentando muita sinceridade, em pouco tempo o elemento, que até então não despertava suspeita alguma, ganhou a confiança da mulher. Ele falou que morava perto da lanchonete onde estavam (que está situada em plena rua Floriano Peixoto) e convidou a vítima para ir ver a residência e já conhecer sua mãe para acertarem o emprego.
Acreditando na sinceridade do elemento, a mulher que tem filhos pequenos para tratar, muita necessitada do trabalho, aceitou ir ver a casa onde possivelmente iria começar a trabalhar.
O elemento disse que estava com o carro logo ali do lado e não iriam a pé para chegarem rápido.
A vítima, e o até então insuspeito empregador, entraram no automóvel, que ela não soube precisar a marca e o modelo, mas descreveu como um carro branco.
Foi o maior erro que ela cometeu na vida.
Momentos de terror
Imediatamente após ligar o veículo, o elemento começou a deixar as ruas centrais, tomando o rumo da Rodovia Waldomiro Correia de Camargo (Itu/Sorocaba).
Percebendo que algo estava errado, a mulher questionou o falso empregador sobre o rumo que estavam tomando, dizendo que estavam saindo da cidade.
O elemento, naquele instante começou a deixar claro que era um psicopata, ao dizer para a vítima que “ia lhe dar o serviço que ela queria”.
Aterrorizada a mulher começou a gritar para que o maníaco a deixasse sair. No desespero ela abriu a porta do carro para se jogar, mesmo estando em alta velocidade. Foi nesse momento que o psicopata pegou uma faca que estava no veículo e encostou na vítima, ameaçando mata-la ali mesmo se não fechasse a porta novamente e parasse de gritar.
Desesperada e chorando muito, a mulher obedeceu o maníaco.
Com uma mão no volante e outra roçando a faca no corpo dela, o pervertido conduziu a vítima até uma estradinha de terra, em frente ao Posto Catarinense.
Adentrando a referida estrada, o maníaco parou o carro em um local deserto.
Estuprador e vítima... estavam sozinhos.
Estupro consumado
Sabendo exatamente o que a mulher pretendia fazer (fugir), assim que parou o carro, o maníaco saltou para o banco da vítima e saiu do veiculo junto com ela pela porta de passageiros, sem tirar a faca do seu pescoço.
Em dado momento, a mulher tentou correr, mas foi segurada pelo cabelo e levou um soco nas costas.
Sob ameaça de morte, o criminoso obrigou a mulher a tirar toda a roupa e encostando a faca no pescoço, mandou que fizesse sexo oral nele.
Depois, obrigou a vítima a ficar de costas e a violentou das formas mais sádicas e brutais, que nem precisam ser descritas aqui.
Satisfeito com o terror que causou na mulher, o maníaco abandonou a vítima naquele local, após suas perversões sexuais, entrou no carro e desapareceu.
A vítima, muita abalada, saiu desesperada pela estrada pedindo ajuda e acabou sendo socorrida por um veiculo que passava pelo local.
Nesse intervalo a PM foi acionada e conduziu a vítima até o atendimento médico.
Retrato Falado
A reportagem da Folha esteve com a vítima e ouviu detalhadamente a história de terror que ela viveu. Pelo fato de ser desenhista, este repórter que redige esta matéria, pediu para que a mulher descrevesse o estuprador em detalhes. Muito abalada com o crime e com a imagem ainda nítida do maníaco na cabeça, a vítima foi fornecendo todos os detalhes do perfil físico do estuprador, enquanto o desenho era traçado.
A vítima contou que o criminoso havia acabado de raspar o cavanhaque e que a marca estava muito forte no rosto dele. Também disse que era um homem pardo, mais ou menos 1,70 de altura, cabelo escuro penteado para trás, aparentando estar com gel, forte, tipo segurança e barrigudo, porém não gordo. Ou seja, as mesmas características do criminoso que havia atacado cinco dias antes.
Ao ver o retrato pronto a vítima foi categórica ao afirmar “é este o homem que me violentou”.
A delegada doutora Lia Limongi, que responde pelo 3° DP e atualmente pela Delegacia da Mulher, entrou em contato com a reportagem do Folha e fez a apreensão do desenho, para que o mesmo fosse utilizado na investigação policial.
O retrato falado do suspeito também foi repassado para todos os jornais das cidades vizinhas.

Estuprador ataca novamente
Uma moto parada no acostamento da rodovia Valdomiro Correa de Camargo, próximo a balança de pesagem de caminhões, chamou a atenção da Polícia Militar, na noite do último domingo, por volta das 22h.
Estranhando o fato, os policiais que estava fazendo patrulhamento pelo local pararam e foram até a moto, quando viram um rapaz do outro lado da pista, gritando que a moto era dele.
Em seguida, os PMs ouviram mulheres pedindo socorro, saíram do mato gritando que tinham sido estupradas pelo dono da moto.
As vítimas uma doméstica de 33 anos e uma professora de 25 anos, ambas moradoras da cidade de Sorocaba, disseram aos policiais que o homem estava com uma arma, localizada no mato, próximo de onde ele havia saído.
As vítimas contaram aos policiais que tinham acabado de chegar de viagem e estavam indo para um ponto de ônibus, quando um indivíduo de capacete parou e as ameaçou com uma arma.
Assustadas, as moças foram obrigadas a entrar com marginal no mato.
Os minutos seguintes foram de desespero e medo. Durante quarenta minutos, as duas mulheres foram obrigadas a manter relações sexuais com o maníaco. Sem tirar o capacete e sem usar preservativo, o motoqueiro as obrigou a fazer sexo oral e anal.
Humilhadas e dominadas pelo medo, elas não tinham mais esperanças de sair com vida do local, já que todo o tempo o psicopata as ameaçava de morte.
Mas, de repente um barulho chamou a atenção do criminoso. Era a polícia. O motoqueiro então, vestiu sua calça e apontando a arma para a cabeça de uma das vítimas mandou que elas ficassem quietas, pois iria falar com os policiais.
Percebendo o que estava acontecendo, as mulheres não tiveram dúvida e saíram correndo em direção aos policiais, gritando que tinham sido violentas por aquele indivíduo e mostraram aos PMs o local onde o estuprador havia jogado a arma.
Sem saber o que fazer, o maníaco negou tudo e disse aos policiais que na verdade ele tinha sido parado pelas duas moças. Segundo ele, elas pediram para que as levassem até o bairro Portal do Éden em Sorocaba.
O motoqueiro contou que elas se oferecem pagar o serviço com favores sexuais e então entraram no mato. Lá, o estuprador disse que enquanto uma o masturbava, a outro pedia para que ele “enfiasse o dedo” em sua parte íntima.
Foi nessa hora que escutaram a polícia. Mas, ele conta que foi surpreendido com a atitude das moças, o acusando de abuso sexual. O rapaz negou tudo e disse também que não possuía arma.
Os policiais informaram que as moças iriam ser encaminhadas ao IML, onde passariam por exames para comprovar a versão delas.
Sabendo o que tinha feito, o indivíduo tentou fugir e entrou em luta corporal com os policiais. O rapaz foi dominado e recebeu voz de prisão.
O exame feito nas moças confirmou o estupro e o maníaco identificado como Marcone Ferreira dos Santos, de 28 anos, foi preso em flagrante. Os policiais também apreenderam seu revólver um, calibre 38 e munições.
Após investigações ficou comprovado que Marcone também era o sinistro GarraNegra, que havia violentado outra mulher meses antes. (Márcia Roldan)

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

ASSASSINATO EM FAMILIA

Ele matou a esposa e o sogro, a sogra morreu com o choque e ele se suicidou logo em seguida Uma briga rotineira de casal...

...terminou em quatro mortes trágicas

Existem várias histórias de crimes macabros, enterradas no Cemitério Municipal de Itu.
Algumas dessas histórias já foram esquecidas, apagadas pela passagem dos anos.
Mas, existem alguns casos, que foram tão assustadores, que nem o tempo poderá apagar. Casos sinistros, repletos de terror, mistério e morte. Histórias de pessoas comuns, que em um certo dia, tornaram se vítimas do destino. Vítimas fatais.
A história que vou contar, aconteceu aqui mesmo em Itu, há muitos anos atrás e, como praticamente todos os casos que conto... não teve final feliz.
Na verdade, o final foi trágico para todos os envolvidos.
Foi no ano de 1955. Em uma chácara aqui da cidade, morava um rapaz de 22 anos chamado João Batista de Lima Cruz. Ele era natural da Bahia e trabalhava como lavrador. Era casado com uma jovem de 20 anos, chamada Lídia de Mattos Cruz.
Talvez eu nunca vou saber se eles viviam bem ou não, mas de acordo com depoimentos de pessoas que viveram naquela época, João era um homem ciumento e várias vezes se desentendia com a esposa por este motivo.
Foi exatamente por ciúmes, que no dia 06 de janeiro de 1955 ele a matou. Na certidão de óbito de Lídia consta que ela morreu de hemorragia interna, derivada de três ferimentos penetrantes na barriga. Provavelmente três tiros ou três facadas. Não consta no papel.
Durante a briga que culminou na tragédia, o sogro, um homem de 50 anos chamado Emiliano Joaquim , tentou defender a filha. Não conseguiu. Seu crânio foi esmagado por João. Morreu vítima de comoção cerebral.
Ao ver a filha e o marido mortos de forma brutal, dona Maria Mattos, não resistiu, teve um mal súbito e morreu de colapso cardíaco.
O que se passou na cabeça de João naquele instante, ninguém nunca vai saber, mas depois de praticamente matar toda a família, ele decidiu colocar fim na própria vida.
Abriu um vidro de um veneno mortal, chamado Formicida (cyaneto de sódio) e ingeriu uma dose.
Morreu logo em seguida por envenenamento.
Todas essas informações sobre as causas das mortes estão impressas nas certidões de óbitos de cada uma das vítimas e se encontram arquivadas no cartório de registros.
De acordo com o livro de óbitos número 4, folha 27, do Cemitério Municipal, o primeiro sepultamento foi o de Lídia, o segundo do pai dela, o terceiro da mãe e o último do esposo.
Um dia o amor os uniu, o ciúmes os separou, mas na morte, foram reunidos novamente, já que todos estão enterrados lado a lado, nas sepulturas 24, 25, 26 e 27 da quadra 8 do Cemitério Municipal de Itu.


O MASSACRE DO BAIRRO SÃO LUIZ

foto meramente ilustrativa

As três mulheres foram brutalizadas em um matagal após sairem de uma festa


Um dos crimes mais bárbaros já ocorridos em Itu, que entrou para as crônicas policiais, ocorreu na noite de 14 de março de 1981.
Era um sábado, 22h30.
Depois de uma festa de casamento, no bairro São Luiz, três mulheres, Maria Aparecida, de 36 anos, Julia Abreu, de 45 anos (que estava grávida de 5 meses) e Carmem Dias, de 35, decidiram ir até um baile, não muito distante do local em que estavam.
Junto com elas, se encontrava um rapaz de 22 anos, chamado Antonio. Conhecido delas.
Os quatro caminhavam por um trio, em meio a um matagal, próximo do local onde hoje existe um Posto de Saúde.
Cerca de cem metros a frente do quarteto, Marta e Marcos, os dois filhos de Júlia, e Alfredo, um amigo da família, seguiam na mesma direção.
Em dado momento, o trio decidiu voltar, pois tinham perdido de vista as três mulheres e o homem que as acompanhava.
Os três não sabiam, mas estavam prestes a de depararem com a cena mais apavorante de suas vidas.
Ninguém ouviu os gritos. Ninguém viu nada. Ninguém contou nada.
Ao passarem pelo espesso matagal da rua Luporini Sampaio, o trio avistou os três corpos ensangüentados no meio do mato.
Maria, Júlia e Carmem, estavam semi nuas, com os corpos repletos de ferimentos e as cabeças esfaceladas por pedradas.
O mato estava vermelho. Havia sangue por todos os lados.
Utilizando o máximo de requintes de crueldade, o maníaco, havia ferido as partes intimas das mulheres, com um revólver, e massacrado suas cabeças com pedras.
Os filhos de Júlia e o amigo, entram em pânico. Ficaram em choque com a cena.
A polícia foi acionada imediatamente.
Júlia e Maria já estavam além de qualquer ajuda, mas Carmem demonstrou um fraco sinal de vida.
Foi socorrida até o hospital Nossa Senhora da Candelária, onde ficou muito tempo internada. Recuperou-se fisicamente, depois de algum tempo, mas ficou com graves seqüelas no cérebro. Morreu alguns anos depois, em conseqüência da brutalidade que sofrera. Jamais se recuperou mentalmente.
Antonio, o rapaz, que estava com as mulheres, desapareceu após o crime. Tornou-se evidentemente o principal suspeito.
Seu nome completo foi divulgado a exaustão nos jornais da época, que o acusavam de ser o assassino.
Ele nunca apareceu para explicar o que aconteceu na noite do crime.
O motivo daqueles assassinatos brutais, também nunca foram esclarecidos.
Houve muitos rumores sobre a participação de outros indivíduos no crime, mas também não se provou absolutamente nada.
A única certeza, era que três mulheres boas, encontraram a morte de uma maneira cruel, por um motivo que talvez nem elas próprias soubessem.
O inquérito policial desse crime macabro, terminou como a maioria dos outros do gênero, arquivado, prescrito, e sem solução.
Antonio jamais voltaria a aparecer e carregaria para sempre a estigma de ser o assassino, já que foi a última pessoa a ver as três mulheres com vida.
Carmem, antes de morrer, chegou a apontar um outro suspeito, figura bastante conhecida no bairro, como sendo um dos participantes no massacre, mas nada foi provado e o suspeito continuou em liberdade.
Hoje, 25 anos depois, quase todo mundo já se esqueceu desses crimes, dessas mulheres, dessas mortes. Menos as famílias das vítimas que jamais irão se conformar com essa brutalidade. Menos o próprio assassino, que onde quer que esteja neste momento, se lembra de todos os detalhes do horrendo crime que cometeu, naquela noite de sábado, de 1981.
Mais um caso que ninguém esclareceu.
Outro crime assustador... que abalou Itu.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

REPÓRTER MUNDO CÃO


As crônicas policiais ituanas estão repletas de crimes macabros.
Casos verdadeiramente aterradores.
Muitos ainda não foram solucionados.
Outros jamais serão.
Nos noticiários “normais”, dos principais meios de comunicação, as mais trágicas e violentas histórias de morte, tem seu impacto diminuído, ao serem transformadas em dados frios e impessoais, para “não chocar” a sociedade.
Se quiser fazer um bom trabalho, um repórter policial não deve ter medo de chocar a sociedade. Afinal, ela quer pagar pela notícia, para saber a mais pura verdade. Seja boa ou ruim.
Para fazer uma boa reportagem policial é preciso viver a notícia. Senti-la pulsando no sangue.
O que os outros apenas ficam sabendo, ouvem falar, ou vêem através de fotos, ou TV, o repórter policial tem que ver e ouvir ao vivo, em cores e não em preto e branco. Não em tons de cinza.
Não é um trabalho fácil. Na verdade às vezes chega a ser repugnante, sinistro aterrador e é claro... perigoso.
Fotografar pessoas mortas das formas mais bizarras, conversar com assassinos (às vezes na própria cena do crime), saltar da cama altas horas da madrugada para atender uma ocorrência policial, e ficar de plantão 24 horas por dia, sete dias por semana, sem feriados, é rotina, coisa normal para um repórter policial que precisa dar a notícia para seus leitores.
Um repórter policial não pode se prender e nem depender de boletins de ocorrência, como se fosse uma muleta. Tem que ver a coisa acontecer. Estar lá na ocorrência.
Para fazer um trabalho limpo e profissional, sem cometer injustiças é necessário checar a exaustão todas as informações, ouvir todas as vitimas, testemunhas e até mesmo os responsáveis pelo crime, quando querem falar, é claro.
Isso sem mencionar, que é fundamental para um repórter policial ter conhecimento de causa, ou seja, sempre saber o que está falando.
Em minhas reportagens, sempre revelo a dimensão humana da tragédia, sem exageros, sem frescuras e é claro, sem injustiças.
Esse é meu estilo “mundo cão”, de contar uma história.
Ao invés de fornecer dados frios e impessoais, coloco meu leitor na cena do crime.
É exatamente assim que tem de ser. Quem paga pela notícia, quer a verdade. Não quer ser poupado dos detalhes macabros da história, caso contrário não compraria a publicação.
Esse é o nosso, o meu papel.
O papel de um repórter mundo cão.

Seja bem-vindo ao mundo dos crimes macabros, onde seus piores pesadelos... são reais!!!

Reginaldo Carlota