terça-feira, 28 de agosto de 2007

OS MATADORES

Pai e filho mataram um policial e feriram outro ao serem surpreendidos pela PM


Faltavam exatamente 30 minutos para meia noite. Era uma sexta-feira, dia 1 de agosto de 1986. Marcelo, um jovem ituano de apenas 19 anos, foi friamente assassinado com quatro tiros, em frente a Fundição Gazzola.
As armas utilizadas: Um revólver calibre 38 e um revólver calibre 32.
Os assassinos: O ex-policial militar Renato, e seu filho, o adolescente A.C.P., de 17 anos.
O motivo: um insignificante acidente de trânsito.
Alguns minutos antes do crime, Renato em companhia de seu filho, estava dirigindo um Monza, no Largo do Carmo. Ao manobrar o veículo, acabou derrubando uma moto que estava estacionada nas imediações.
Sem dar importância ao fato, foram embora dali.
Marcelo, que presenciou tudo, montou em outra moto, com um amigo na garupa e saiu atrás do Monza, com a intenção de anotar a placa e passar para a polícia, já que conhecia o dono da moto derrubada.
Até aquele momento, Marcelo não tinha a mínima idéia de com quem estava lidando. Só iria descobrir tarde demais.
Em frente a Fundição Gazzola o Monza parou.
Os dois ocupantes do veículo já haviam percebido que estavam sendo seguidos por um motoqueiro.
Sem sequer imaginar que estava assinando sua sentença de morte, Marcelo desceu da moto junto com seu amigo e se preparou para iniciar um diálogo com os homens do carro.
Nunca conseguiu.
Pai e filho sacaram as armas e disparam contra os dois rapazes.
Marcelo que estava mais próximo, levou quatro tiros fatais. Seu amigo não foi atingido.
Os dois atiradores entraram no carro e desapareceram.
Gravemente ferido, Marcelo ainda teve forças para se levantar, subir na moto, e pilotar até a Santa Casa, onde morreu minutos depois.
O então delegado doutor Cirineu e os investigadores Rocha, Durval, Sérgio e Antenor, descobriram a identidade dos matadores, e acabaram batendo na porta dos dois na cidade de Sorocaba, onde moravam.
Houve troca de tiros e os dois conseguiram fugir. Os policiais levantaram que Renato e seu filho já haviam tentado cometer um outro homicídio anteriormente, motivo esse pelo qual estavam respondendo um processo criminal.
As investigações prosseguiram, mas apesar dos esforços da polícia, os dois não foram localizados.
No segundo final de semana de fevereiro o caso dos dois matadores teria um desfecho sangrento na cidade de Tietê.
Era tarde da noite. Vizinhos de uma loja de pneus, viram dois elementos suspeitos abrindo a porta da loja. Era Renato e seu filho.
Desconfiados, os vizinhos chamaram a polícia.
Os PMs soldado Sandei, Otacílio e cabo Bristol, chegaram ao local. Assim que entraram na loja, foram recebidos a tiros.
O policial Sandei levou um tiro na perna. Já o policial Otacílio não teve tanta sorte. Foi fulminado com dois tiros certeiros. Os matadores não estavam brincando.
Enquanto prestava auxilio aos companheiros feridos, o cabo Bristol pediu reforços pelo rádio.
Não demorou muito para a Polícia Militar de Cerquilho e Tietê cercarem o local.
Um segundo tiroteio teve início. Em um dado momento, o filho de Renato foi crivado de balas pelos PMs. Eles também não estavam brincando.
Ninguém pode dizer o que se passou pela cabeça do ex-policial, ao ver o filho morto. Ele também sabia que estava cercado pela polícia.
O que aconteceu em seguida, foi uma cena digna de final de filme.
Renato, em uma atitude suicida, saiu do esconderijo e foi atirando sozinho em direção a todos os policiais, fortemente armados. Ele queria morrer? Vingar o filho? Ninguém nunca vai saber.
Ele não acertou mais ninguém.
Mas foi instantaneamente crivado de balas pelos policiais.
Otacílio, o bom policial estava morto.
Marcelo, o jovem amigável estava morto.
Mas, Renato e seu filho, a dupla de matadores que já havia se tornado lenda no interior, também estavam mortos.
Mataram dois e morreram os dois.
Mataram juntos... e morreram juntos.